Abordagem comportamental da nutrição

Passos para uma alimentação saudável, irresistível não seguir…

Em 1949 a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu saúde como “um estado de perfeito bem-estar físico, mental e social”, não consistindo apenas na ausência de doença ou de enfermidade. De lá para cá, esse conceito já foi discutido na tentativa de atualizá-lo, principalmente pelo fato de “perfeito bem-estar” ser considerado uma característica utópica e subjetiva. Independente das mudanças de termos, o que de fato se dá como consenso nesse assunto é que saúde vai além de características biológicas, abrangendo o contexto social e mental do indivíduo. Pensando na alimentação com base nisso, podemos perceber que a maneira como comemos pode influenciar em todos esses contextos. Por exemplo, se comemos algo que foi tradicional da nossa infância e aquele sabor traz boas lembranças, ou se comemos com amigos ou
familiares para confraternizar prazerosamente. Ou seja, adequar a alimentação às necessidades físicas é importante, mas não é puramente o conceito de alimentação saudável, pois comida é mais do que nutrientes, é cultura, é relação social, é prazer mental/emocional.

Em 2014 o Ministério da Saúde lançou a segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira, um documento que objetiva melhorar os padrões de alimentação e nutrição da população e contribuir para a saúde. Este documento define que a alimentação saudável é um direito básico que envolve acesso a uma prática alimentar adequada aos aspectos biológicos e sociais, deve estar de acordo com as necessidades alimentares especiais do indivíduo, ser referenciada pela cultura alimentar, acessível física e financeiramente, harmônica em quantidade e qualidade, atender aos princípios da variedade, equilíbrio, moderação e prazer, ser baseada em práticas produtivas adequadas e sustentáveis. As recomendações do guia são úteis para a população de maneira geral (exceto menores de 2 anos), mas sempre que houver condições ou restrições específicas, é imprescindível a busca individualizada por um profissional nutricionista.

No final do documento há uma revisão das recomendações por meio dos Dez Passos para uma Alimentação Saudável“.

São estes os seguintes:

  1. Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação;
  2. Utilizar óleos, gorduras, sal, açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias;
  3. Limitar o consumo de alimentos processados;
  4. Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados;
  5. Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia;
  6. Fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados;
  7. Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias;
  8. Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece;
  9. Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora;
  10. Ser crítico quanto às informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais.

Dentro de cada um desses tópicos é possível aprofundar e detalhar melhor. E é isso que eu pretendo trazer para você nos próximos textos. O documento completo do Ministério da Saúde está disponível na internet. Qualquer dúvida, comentário ou sugestão me escreva abaixo.Vou ficar feliz com o feedback e/ou comentário..

Até a próxima e um abraço!
Coluna Abordagem comportamental da nutrição
Larisa Carvalho – Nutricionista



Referências:

SEGRE, M.; FERRAZ, F. C. O conceito de saúde. Revista de Saúde Pública, v. 31, n. 5, São Paulo, 1997.
MINISTÉRIO DA SAÚDE: Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª ed., 2014.

Larisa Carvalho
Larisa Carvalho

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